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O que faz a diferença

 

O mercado da diversidade racial

     A sociedade brasileira é uma das mais multirraciais do mundo. Os imigrantes foram fundamentais para a construção do Brasil como nação. Estima-se que 5,5 milhões chegaram aqui entre 1820 e 1980. A maior parte deles eram de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses. Além disso, mais de 6 milhões de negros foram trazidos à força da África para o trabalho escravo, entre os séculos XVI e XIX. Assim sendo, a população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e de diversos grupos que se estabeleceram aqui.

     Ao se falar de etnias muitas pessoas demonstram total falta de base teórica ou então têm ideias distorcidas sobre a questão. Prova disso é que a palavra étnica ficou conhecida popularmente como referência aos negros. Quando das entrevistas para preparar esta Edição Temática, ao me referir a produtos para cabelos étnicos, por exemplo, todos os entrevistados me respondiam sobre produtos para cabelos afros ou de indivíduos de raça negra.

     Hoje em dia encontramos várias matérias falando sobre a pele étnica e novamente o erro se repete.

     Muitos confundem etnia com raça. Mas na verdade o que significa a palavra etnia? Segundo a enciclopédia Wikipédia, a palavra “etnia” é derivada do grego ethnos, significando “povo”. Esse termo era tipicamente utilizado para se referir a povos não-gregos, então também tinha conotação de “estrangeiro”. Povo, etnia ou ainda grupo étnico, refere-se a um grupo de seres humanos unidos por um fator comum, tal como a nacionalidade, religião, língua, bem como demais afinidades históricas e culturais. Estas comunidades humanas geralmente reivindicam para si uma estrutura social e política, bem como um território. Os membros de um determinado “povo”, (como, por exemplo, o povo português, ou o povo espanhol) partilham valores, crenças e hábitos em comum. De outra forma da etnia, o que diferencia as muitas raças são os fatores biológicos como a cor da pele, o formato da cabeça, o tipo de cabelo e etc...

     Entretanto, assumindo a designação consagrada pelo mercado, ao longo desta edição iremos nos referir, de maneira geral, a produtos étnicos como aqueles destinados aos indivíduos de raça negra (afro-descendentes) e a combinações.

 

Os números

     Os negros, pardos, orientais e indígenas têm participação muito expressiva no conjunto da população brasileira. Só os afro-brasileiros (somando negros e pardos) representam a maior população mundial de seres humanos desta raça, a frente de países como Zaire, África do Sul e Estados Unidos, segundo informações da Fundação Cultural Palmares. Vale ressaltar que o Instituto considera como pessoas de pele parda: mulatos (branco com negro), cafuzos (negro com índio), mestiços (raças diferentes), caboclos e mamelucos (branco com índio).

     O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica o povo brasileiro entre cinco grupos: branco, preto, pardo, amarelo e vermelho (indígena), baseado na cor da pele ou raça. A última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) encontrou o Brasil sendo composto por 93,096 milhões de brancos, 79,782 milhões de pardos, 12,908 milhões de pretos, 919 mil amarelos e 519 mil indígenas. Isso significa que 42,6% da população é parda, 6,9% preta, 0,5% amarela e 0,3% indígena. Comparado com censos anteriores, pela primeira vez o número de brancos não ultrapassou os 50% da população. Em 2000, os brancos eram 53,7%. Em comparação, o número de pardos cresceu de 38,5% para 42,6% e o de pretos de 6,2% para 6,9%. De acordo com o IBGE, essa tendência se deve ao fato da revalorização da identidade de grupos raciais historicamente discriminados. A composição étnica dos brasileiros não é uniforme por todo o País. Com o largo fluxo de imigrantes europeus no Sul do Brasil, a maior parte da população é branca: 79,6%. No Nordeste, os pardos e pretos são a maioria, 62,5% e 7,8%, respectivamente. No Norte, a maior parte é de cor parda (69,2%), devido ao importante componente indígena. Já no Sudeste e no Centro-Oeste as porcentagens dos diferentes grupos étnicos são bastante similares.

     Esta grande diversidade racial que constituiu o País, longe de ser um problema, resultou em um grande mercado e novas portas para as empresas de cosméticos investirem. Principalmente quando os produtos são para negros e pardos. Mesmo com os piores indicadores sociais, como escolaridade e salários, os negros são cada vez mais valorizados como consumidores. Prova disso é o crescimento de produtos específicos para esse mercado, ainda que seu poder aquisitivo seja praticamente metade do da população branca. O mercado de produtos étnicos de higiene e beleza no Brasil apresentou crescimento significativo, especialmente no segmento de produtos para cabelos. Em 2005 esse setor movimentou cerca de 840 milhões de reais, representando crescimento de 116% em relação a 1999 e correspondendo a quase 101 mil toneladas de produtos. Não é para menos, pois mais de 60% das brasileiras possuem cabelos cacheados, ondulados ou crespos conforme pesquisa da Abihpec.