Higiene das mãos e Florence Nightingale
publicado em 08/03/2026 por Mariana G Beny
O estímulo à higienização sistemática das mãos tem sido objeto de grande esforço das autoridades sanitárias de todo o mundo, sendo enfatizada como procedimento fundamental de promoção da saúde, notadamente em episódios como os surtos de gripes ou conjuntivite, ou mais enfaticamente durante a pandemia do coronavírus, quando se configurou como uma das principais medidas profiláticas.
Nos serviços de atenção à saúde, a correta higiene das mãos aparece como importante forma de prevenção da disseminação de microrganismos, especialmente os multirresistentes. No Brasil, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 14% dos pacientes internados são acometidos por infecções hospitalares a cada ano, aumentando em cerca 55% o custo da internação causando, direta ou indiretamente algo entre 45 mil e 100 mil mortes por ano no país, segundo dados da Associação Médica Brasileira (AMB) e OMS em 2025.
Um pouco da história de Florence Nightingale
Se hoje nos parece natural higienizar as mãos como forma mais simples de prevenir a contaminação cruzada e de reduzir a transmissão de patógenos por contato tanto no meio domiciliar e social como em ambientes hospitalares e serviços de saúde, nem sempre tivemos essa percepção de maneira clara. Ao contrário, houve uma longa batalha pela higiene das mãos.
Vários personagens da história da saúde contribuíram para a que gradativamente se consolidasse a percepção da importância da higienização adequada das mãos.
Neste mês de março, em meio a manifestações e reflexões suscitadas pelo dia internacional da mulher, vale recordar a história de protagonismo de Florence Nightingale, que contribuiu grandemente para a sistematização e o reconhecimento da importância da higiene das mãos, além de ser apontada como uma das grandes pioneiras e responsáveis pelo estabelecimento da Enfermagem como profissão e saber científico.
Nascida em 1820, em Florença, na Toscana (atual Itália), filha de uma abastada família britânica que por volta de 1828 retornou à Inglaterra, Florence recebeu uma educação notadamente progressista para a época, estudou história, matemática, italiano, literatura clássica e filosofia, exibindo desde pequena grande habilidade na coleta e análise de dados, o que foi determinante para sua futura atuação profissional.
Em 1854, Florence foi convidada a chefiar a assistência aos feridos em batalhas na Guerra da Crimeia, implementando várias medidas para organizar e melhorar a qualidade das enfermarias. Dando especial atenção à higiene, ela conseguiu reduzir sensivelmente a mortalidade dos soldados feridos e adoecidos na guerra.
Além de sua atividade na prestação de assistência aos doentes, Florence foi uma reformadora social, escritora e estatística, em 1860 lançou as bases da enfermagem profissional com o estabelecimento de sua escola de enfermagem no Hospital St. Thomas em Londres, a primeira escola secular de enfermagem do mundo. Suas ações reformistas contribuíram para melhoria da assistência de saúde para todos os setores da sociedade e para a expansão de frentes de trabalho para as mulheres de sua época.

Cartaz Anvisa. Segurança do paciente.



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