Introdução

Bases neurológicas: como o cheiro chega ao cérebro

Bases bioquímicas: o que acontece no nível molecular e hormonal

Bases psicológicas: emoção, memória e resiliência

Evidências clínicas: aplicações em contextos de saúde e bem-estar

Considerações sobre segurança e formulação para populações idosas

Síntese dos mecanismos envolvidos

Implicações para formulação e estratégia de portfólio

Considerações finais

 

 

Introdução

A relação entre fragrância e bem-estar humano é estudada há décadas em campos que vão da neurociência à psicologia clínica. Em populações idosas, essa relação adquire dimensões particularmente relevantes: as mudanças fisiológicas do envelhecimento afetam diretamente a percepção olfativa, ao mesmo tempo em que o sistema olfativo permanece como um dos canais sensoriais mais preservados e emocionalmente ativos ao longo da vida.

O envelhecimento populacional é uma das transformações demográficas mais significativas do século XXI. Segundo projeções da Organização Mundial da Saúde, o número de pessoas com 60 anos ou mais deverá duplicar até 2050, passando de 1 bilhão para 2,1 bilhões (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2022).1 Esse cenário impõe demandas crescentes por abordagens não farmacológicas de promoção de bem-estar e qualidade de vida para essa população.

Nesse contexto, intervenções baseadas em estímulos sensoriais, em especial o olfato, ganham relevância científica e clínica. O sistema olfativo ocupa posição anatômica única entre os sentidos, com projeções diretas para estruturas límbicas envolvidas na regulação emocional e na consolidação de memórias autobiográficas (FRONTIERS IN NEUROSCIENCE, 2023).2 Essa particularidade neuroanatômica sustenta mecanismos pelos quais fragrâncias podem influenciar humor, ansiedade, sono e qualidade de vida em pessoas idosas.

Este documento consolida os principais achados da literatura científica sobre os mecanismos pelos quais fragrâncias influenciam o humor, o bem-estar emocional e a saúde psicológica de pessoas idosas. Os temas estão organizados por área de conhecimento, neurológica, bioquímica, psicológica e clínica, de modo a oferecer uma visão integrada e baseada em evidências, com implicações diretas para formulação cosmética e desenvolvimento de portfólio.

 

Bases Neurológicas: Como o cheiro chega ao cérebro

1. A via olfativa e o sistema límbico

O olfato é o único sentido que projeta sinais diretamente para as estruturas do sistema límbico, conjunto de regiões cerebrais associado à emoção, memória e motivação, sem passar pelo tálamo, que funciona como filtro central para os demais sentidos. Essa arquitetura