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Há quem diga que as sextas-feiras pertencem às despedidas. Despedimo-nos da semana, encerramos as últimas tarefas ou adiamos os compromissos que podem esperar e, quase sem perceber, começamos a ensaiar o descanso.

Eu, confesso, ainda pertenço ao grupo daqueles que trabalham.

Foi em uma dessas sextas-feiras aparentemente comuns, durante uma reunião de trabalho, que um detalhe transformou um dia qualquer em uma lembrança especial. Eram exatamente 10h22. Sei disso porque, ao ouvir o convite que mudaria os rumos daquela manhã, olhei instintivamente para o relógio, como se quisesse guardar aquele instante.

O convite era para estar aqui. Confesso que aceitei quase imediatamente. Não apenas pela honra do convite, mas pela oportunidade de criar um espaço para conversarmos sobre um tema que faz parte da minha vida há muitos anos: a análise sensorial.

Curioso pensar que dedicamos tanto tempo a medir, calcular, formular e controlar variáveis, enquanto o verdadeiro encontro entre um produto e seu consumidor acontece em um espaço impossível de enxergar. Ele acontece na percepção.

É ali que um perfume desperta uma lembrança. Que a textura de um creme transmite cuidado. Que o toque de uma espuma comunica leveza. Que um batom conquista antes mesmo de revelar sua cor.

Há quem imagine que a análise sensorial seja apenas pedir a opinião de consumidores. Ela é muito mais do que isso. É ciência. É método. É técnica. É compreender, com rigor e sensibilidade, como as pessoas experimentam e respondem a um produto.

É sobre esse encontro entre ciência, tecnologia e percepção que conversaremos daqui em diante.

Neste espaço iremos compartilhar experiências, responder dúvidas, discutir desafios que encontramos no desenvolvimento de produtos e mostrar como a ciência da percepção pode contribuir para decisões inteligentes, eficientes e, principalmente, mais próximas do consumidor.

Se você trabalha com pesquisa, desenvolvimento, qualidade, marketing ou simplesmente é curioso sobre a forma como percebemos os produtos que utilizamos, espero que este seja um ponto de encontro. Um lugar para refletirmos juntos sobre aquilo que os números, sozinhos, nem sempre conseguem contar.

Sem jalecos obrigatórios, sem excesso de termos técnicos e, espero, com a mesma curiosidade que me fez aceitar aquele convite às 10h22 de uma sexta-feira qualquer.

Seja bem-vindo(a). A conversa está apenas começando.

Até a próxima percepção.

 

Imagem: acervo da autora