Cinco gerações, cinco jornadas de beleza
publicado em 03/09/2026 por Patrícia Tuneli
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Baby Boomers: confiança pela autoridade
Geração X: eficiência e praticidade
Millennials: ciência, informação e propósito
Geração Z: quando pesquisar também significa assistir
Geração Alpha: influência antes da autonomia
O desafio para a indústria cosmética
Durante muito tempo, falar sobre o público de cosméticos significava falar principalmente sobre idade e como os produtos “corrigiam” falhas típicas. Os mais jovens buscavam novidades e algo que ajudasse a combater a oleosidade e espinhas, adultos procuravam praticidade, hidratação e proteção solar, enquanto que consumidores mais maduros valorizavam produtos associados ao envelhecimento, como os famosos anti-agings.
Porém, hoje, Baby Boomers, Geração X, Millennials, Geração Z e Geração Alpha convivem no mesmo mercado e espaço, apenas percorrendo caminhos diferentes desde como pesquisam, até a compra e como escolhem e constroem confiança.
Segundo a McKinsey, o mercado global de beleza movimentou cerca de US$ 450 bilhões e cresceu 7% ao ano entre 2022 e 2024, e a expectativa é de crescimento anual de 5% até 2030, dessa forma, pode-se observar que consumidores estão mais atentos à qualidade e ao valor entregue.
Baby Boomers: confiança pela autoridade
Entre os Baby Boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964), a reputação, a experiência e a autoridade continuam sendo relevantes. Por isso, dermatologistas, profissionais especializados e marcas consolidadas ainda ter grande peso na decisão. O digital também participa da jornada, mas a validação da informação segue diferente das gerações mais novas.
Dados da YouGov mostram que apenas 18,2% dos Baby Boomers brasileiros afirmam ter tendência a compras por impulso, contra até 34,4% entre a Geração Z, por isso, a jornada tende a ser mais deliberada, valorizando segurança, eficácia e credibilidade das informações.
Geração X: eficiência e praticidade
Já a Geração X nasceu e cresceu antes da internet, entre os anos 1965 e 1980, no entanto, tornou-se adulta durante sua expansão. Sendo assim, há um aumento da pesquisa online, porém a comparação e a experiência física ainda têm grande relevância na decisão de compra. No cosmético, a eficiência tende a ser o ponto central: o produto precisa justificar seu espaço na rotina e a disposição a pagar pelo valor da entrega.
Millennials: ciência, informação e propósito
Os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996), praticamente ajudaram a transformar a pesquisa online de cosméticos.
Com a popularização de blogs, YouTube, Instagram, reviews e e-commerce, percebe-se consumidores acostumados a comparar ingredientes, benefícios e experiências nessas plataformas, antes de realizarem de fato a compra.
No Brasil, 60,9% dos Millennials dizem preferir compras online às lojas físicas, segundo a YouGov. Além disso, 47,1% afirmam ser mais fiéis a marcas com programas de fidelidade, um percentual superior ao das demais gerações. Para essa geração, que encara os desafios de uma rotina pesada e a sobrecarga de informações que não costumavam ter na infância, conveniência e reconhecimento se tornaram símbolo de como as marcas competem entre si.
Geração Z: quando pesquisar também significa assistir
Para a Geração Z, originada entre 1997 e 2012, a descoberta, entretenimento e informação se misturam.
Embora a Geração Z seja frequentemente descrita a partir de estereótipos relacionados à impulsividade e à hiperconectividade, os dados brasileiros da YouGov revelam um comportamento mais complexo, onde 34,4% dos jovens dessa geração afirmam ter tendência a realizar compras por impulso, enquanto 61,1% consideram a publicidade irritante.
O contraste sugere que o desafio para as marcas não está necessariamente em despertar o desejo de compra, mas em fazê-lo por meio de experiências e conteúdos que sejam percebidos como relevantes, autênticos e pouco intrusivos. Nesse contexto, demonstrações de produto, reviews, conteúdo educativo e recomendações de comunidades podem assumir um papel importante na construção da confiança e na validação da escolha.
Geração Alpha: influência antes da autonomia
A Geração Alpha ainda é jovem (nascidos entre 2010 até meados de 2024) e grande parte não possui autonomia financeira, porém já participa da formação de preferências e opiniões. Crescendo em um ambiente digitalizado, no qual creators, inteligência artificial, entretenimento e consumo estão integrados, a indústria, precisa observar como integrar todas essas camadas e como serão formadas as expectativas do consumidor futuro. Comunicação responsável será essencial diante da exposição precoce a padrões estéticos e rotinas de beleza.
O desafio para a indústria cosmética
Diante de tantas gerações coexistindo, além de rápida evolução digital e tecnológica, a indústria não deve assumir estereótipos, mas utilizar essas referências como sinais para investigar comportamentos.
Isso começa no desenvolvimento das empresas que precisam acompanhar mudanças em ingredientes, texturas, formatos e benefícios, combinando pesquisa de mercado, social listening e dados de venda.
A comunicação também precisa se adaptar, pois o mesmo ativo pode exigir diferentes portas de entrada: evidência científica, praticidade, experiência sensorial ou validação social, indicando que a ciência não precisa mudar, mas sim, adaptar a forma em que se tornará relevante.
Diante de tais mudanças, é natural que os canais também caminham para uma lógica integrada. A McKinsey estima que o e-commerce represente 31% das vendas globais de beleza em 2030, contra 26% em 2024; ainda assim, lojas físicas permanecem relevantes para descoberta e experimentação, indicando um futuro de omnicanalidade.
Para as próximas gerações, a personalização tende a ganhar bastante importância, indicando que inteligência artificial e dados comportamentais podem criar experiências mais contextualizadas, desde que não comprometam a confiança.
Por isso, talvez a pergunta mais estratégica para o marketing cosmético deixe de ser “qual produto essa geração compra?” e passe a ser “como esse consumidor constrói confiança e percebe valor?”.
As gerações mudam. Os canais mudam. Os ingredientes e as tecnologias também. Mas a necessidade de encontrar segurança, eficácia, significado e valor em um produto, continua sendo profundamente humana.
Imagem gerada pela autora em ChatGPT (Open AI, 2026), em 19 de agosto de 2026.
McKINSEY & COMPANY. State of Beauty 2025: Solving a Shifting Growth Puzzle. 2025
YOUGOV. Who’s buying Estée Lauder, Lancôme, and L’Oréal in 2025? 2025
YOUGOV. Brasil: Como são os consumidores da Geração Z? 2023
MINTEL. Brazil Beauty Routines Consumer Report. 2025
MINTEL. Germany Attitudes towards Age Inclusive Beauty Consumer Report. 2025
ANNABELL, T. et al. TikTok Search Recommendations: Governance and Research Challenges. 2025




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