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“Porque nós ficamos mais autênticos quanto
mais nos parecemos com o que sonhamos que somos”

Fala da personagem Agrado, uma mulher transgênero, no filme Tudo Sobre Minha Mãe (1999), do espanhol Pedro Almodóvar.

 

 

Apesar dos retrocessos pontuais e das previsíveis resistências, é fato que as pautas sobre identidade e expressão de gênero vieram para ficar. É nesse bojo que os homens vêm ganhando liberdade para ampliarem o outrora diminuto escaninho do gênero, no qual a tal masculinidade tem preceitos pétreos, não raro tóxicos. Sim, existem diversas formas de ser homem e de expressar a própria masculinidade, em benefício da própria identidade e personalidade.

Homens vaidosos? Sim! Homens que se cuidam? Sim! Homens que se maquiam? Definitivamente sim!

 

“[...] o conceito de masculinidade é líquido, mutável,
flexível e moldável conforme as exigências e características
do contexto sócio-histórico correspondente.
A masculinidade, portanto, é fluida e seu significado
muda conforme as circunstâncias
que ditam o modo para sua composição”

Trecho do livro de Mahmoud Baydoun intitulado
“Não Sou Nem Curto Afeminados – Reflexões Viadas Sobre a Efeminofobia dos Apps de pegação”.
No trecho citado, o autor trabalha conceitos da filósofa americana Judith Butler.

 

Há um claro movimento de reconstrução dos valores masculinos, sobretudo entre os mais jovens, que inclui o questionamento do paradigma de que beleza é um assunto exclusivamente feminino. O fenômeno já foi percebido no mercado cosmético, que tende a crescer exponencialmente, com marcas e lojas de maquiagem direcionadas também a esse público.